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| O
DNA mitocondrial de Eva |
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A
tecnologia do DNA recombinante melhorou tanto a precisão da
análise genética que, como uma ferramenta, a genética está
encontrando aplicações em campos de investigação inteiramente
novos. A aplicação da genética molecular à antropologia é,
pelo menos para mim, uma surpresa que tem produzido um resultado
inesperado. Como um adendo, eu gostaria de relatar a descoberta
da tão conhecida Eva Mitocondrial. Os métodos empregados nessa
pesquisa, senão o assunto em si, já nos serão familiares através
dos estudos feitos previamente neste capítulo de genética
molecular na medicina. |
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A surpreendente e controversa teoria da Eva Mitocondrial,
demonstrada há alguns anos, é atualmente aceita por muitos
cientistas, e novos dados experimentais deram suporte a essa
conclusão inicial. A hipótese da Eva Mitocondrial sugere que
o grau de similaridade genética entre seres humanos (ou outras
espécies) pode ser quantificada pelo número de mutações dentro
do DNA do genoma mitocondrial. |
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Os
genes de uma criança são aproximadamente igualmente herdados
do pai e da mãe. O rearranjo genético que ocorre a cada geração
sucessiva dá ao feto duas cópias de cada gene de uma escolha
de quatro possíveis dentre os genomas dos pais. Esta reprodução
sexual junta com recombinação genética aumenta a diversidade
da resposta genética em relação a pressões evolucionárias.
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A
herança do DNA mitocondrial (DNAmt) é uma exceção à reprodução
sexual. Acredita-se que a mitocôndria, organela
essencial ao metabolismo anaeróbico, teria sido uma bactéria
primitiva que se tornou um parasita obrigatório de células
eucarióticas. As mitocôndrias possuem muitos componentes da
bactéria, incluindo uma quantidade limitada do seu próprio
DNA. De singular na teoria da Eva Mitocondrial é a descoberta
de que o DNAmt é herdado apenas da mãe, não havendo nenhuma
contribuição do pai na época da fertilização. Quando o espermatozóide
penetra o óvulo, não há entrada de mitocôndria. Apenas o DNA
da cabeça do espermatozóide contribui para a formação do zigoto.
A única fonte de DNAmt do zigoto é materna. A mãe passa o
seu componente de DNA mitocondrial para suas filhas e filhos.
Os filhos não podem passar sua informação genética adiante;
a informação pode ser passada apenas pelas filhas. O DNAmt
é uma molécula circular, com apenas 16.500 nucleotídeos, que
codificam RNA ribossômico e de transferência, assim como algumas
enzimas da cadeia de transporte de elétrons presentes na mitocôndria.
Outras enzimas da mitocôndria são codificadas pelo DNA nuclear
celular. |
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| Investigadores
de Berkeley usaram estudos de DNA mitocondrial para traçarem
ancestrais humanos, contando com o fato de que o pouco apreciado
DNA mitocondrial é passado de geração a geração somente por
fontes maternas. Eles retiraram amostras de DNA mitocondrial
de 147 diferentes indivíduos escolhidos dos tantos grupos
antropologicamente diversos quanto possíveis dentre a população
da Terra. Aborígenes australianos, índios americanos, negros
africanos, europeus do Norte, e outros foram todos amostrados.
O DNAmt de cada indivíduo foi submetido a um extensivo mapeamento
por RFLP. Uma análise comparativa das mutações em cada amostra
foi feita. Os pesquisadores de Berkeley formaram uma árvore
evolutiva, assumindo que, quanto menor as diferenças mutacionais
entre dois indivíduos mais proximamente relacionados eles
estavam. |
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O resultado surpreendente foi que todas
as ramificações da árvore se juntaram em um tronco rapidamente.
Rapidamente significa que usando uma taxa assumida para as mutações
no DNAmt, todos os indivíduos testados poderiam ser considerados
tendo uma mãe comum africana em um passado evolutivo recente.
Estes investigadores concluiram: "Todos estes DNAs mitocondriais
partiram de uma única mulher que se postula ter vivido 200.000
anos atrás, provavelmente na África. Todas as populações examinadas,
exceto a população africana, têm origens mútiplas, implicando
que cada área foi colonizada repetidamente." O ancestral africano
foi chamado Eva Mitocondrial pela imprensa. A descoberta de
uma convergência na árvore evolutiva a um único ancestral
materno comum que viveu na África sub-Saárica há apenas 200.000
anos é sem dúvida dramática. |
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Muitas potenciais falhas nessa teoria
têm sido extensivamente debatidas. Os 200.000 anos estimados
ao ancestral comum poderiam ser um erro significante se fosse
assumido que a taxa de mutação para o DNAmt estivesse errada.
O DNA mitocondrial possui uma taxa de mutação mais alta do
que o DNA nuclear, porque a mitocôndria não possui o mecanismo
de reparo extensivo do DNA, presente no núcleo da célula.
Mesmo assim a taxa de mutação não pode estar errada por mais
de um ou dois fatores. A seleção dos 147 indivíduos pode não
ser suficiente para mostrar outras diversas tendências evolutivas
nos seres humanos. Em adição, uma ramificação da árvore evolutiva
testada usando o DNAmt é perdida quando ocorre uma geração
em que apenas nascem filhos. Isto leva a poteneciais becos
sem saída neste este tipo de análise. Alguns antropólogos
se incomodam com o fato das gravações fósseis da evolução
do homem não se igualarem a este curto espaço de tempo sugerido
pelas gravações do DNA. Mesmo assim, muita discussão e os
novos dados dos últimos anos sugerem que o modelo está basicamente
correto. A análise de DNAmt para o estudo da evolução em muitas
espécies está sendo genericamente aceita. A tecnologia do
DNA recombinante se tornou uma ferramenta aceita e altamente
quantitativa para os estudos em antropologia, evolução e ecologia.
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